1.919
198
206
346.262
75
21
194.249
Na edição anterior deste relatório, a determinação das Áreas Importantes foi feita apenas com base no número de espécies de aves migratórias, utilizando-se uma grade padronizada de 50 x 50 km de malha, sobreposta ao território nacional. O critério para a área ser recrutada como importante foi o registro de 40 ou mais espécies migratórias no interior da célula ou quadrícula. Nesta nova versão, além de aprimorarmos a seleção das áreas com a inclusãode mais critérios através de modelagem de priorização, utilizamos uma malha menor, aumentando a precisão das informacões. A grade utilizada possui malha de 5´ (minutos) ou aproximadamente 9,2 x 9,2 km (~85 km^2). O software de priorização espacial escolhido foi o Zonation (Moilanen et al. 2011), que hierarquizou as células pelo seu valor de conservação.
Para análise no Zonation, foram utilizados pontos de ocorrência de 156 taxa dentre as espécies elencadas como migratórias por Somenzari et al. (2018). Não foram consideradas as espécies vagantes, de ocorrência esporádica no país, e aquelas estritamente oceânicas, visto que o recorte geográfico desta análise foi o Brasil continental. Os dados de ocorrência das espécies foram obtidos do Atlas de Registros de Aves Brasileiras - ARA e do Sistema Nacional de Anilhamento de Aves Silvestres - SNA, ambos sob responsabilidade do ICMBio/CEMAVE. Esses dados são uma combinação de dados compilados de publicacões científicas, dados fornecidos por pesquisadores e colaboradores e dados de anilhamento e de recuperação (encontro) de anilhas. Também foram utilizados dados disponibilizados pelo sítio eletrônico Wikiaves - Enciclopédia das Aves do Brasil. O valor de conservação determinado pelo Zonation foi calculado em função da riqueza de espécies da célula, por pesos atribuídos a cada espécie e pela representatividade relativa de cada espécie em cada iteração do software. A cada iteração as células de menor valor de conservação são removidas, e a cada remoção ou iteração, novos valores de conservação são calculados, visto que a representatividade das espécies foi alterada, e assim sucessivamente até a última célula, que resguarda o maior valor de conservação.
As metas de conservação foram definidas a priori, e a partir delas selecionou-se o ponto de corte (percentual) da área a compor as áreas importantes para as aves migratórias. Metas de conservação referem-se aos limiares mínimos desejados da paisagem ou da distribuição das espécies na solução final. A unidade de planejamento aqui adotada foi a própria célula.
Os pesos atribuídos buscaram refletir a vulnerabilidade de indivíduos e populacões da espécie face aos parques eólicos. Espécies que apresentam hábitos que facilitam a ocorrência de acidentes tiveram maior pontuação, assim como espécies oficialmente ameacadas (Anexo 1 - versão impressa do relatório).
Com uso do Zonation, buscou-se como meta de conservação o limiar mínimo que garantisse o recrutamento de mais de 90% das células com registro de ocorrência para as espécies migratórias oficialmente ameacadas, conforme Portaria MMA nº 444/14, e de 100% para as raras, aqui consideradas aquelas com registros em menos de 40 células, ao mesmo tempo em que também seleciona as células de maior riqueza de espécies. No anexo 2 da versão impressa do relatório são apresentados os parâmetros definidos para execução da priorização no Zonation. Essa meta procurou contemplar prioritariamente as espécies em condição mais frágil de conservação. Assim, a meta estabelecida, após a execução da priorização feita pelo software, foi atingida resguardando 30% das áreas com registro de ocorrência de aves migratórias.
Áreas de concentração de indivíduos
Para a determinação das Áreas Importantes com expressiva concentração de indivíduos, foi inicialmente realizado um extenso levantamento bibliográfico em publicacões científicas nacionais e estrangeiras. Posteriormente, foram consultados diversos especialistas que sugeriram novas inclusões com base em suas experiências de campo. Cada área elencada nesta etapa foi identificada, sendo apresentada sua justificativa e sua fonte.
Obs.: As referências bibliográficas citadas nos textos aqui apresentados podem ser acessadas na versão impressa do relatório (pdf), disponível para download na seção “Para saber mais”, na aba “Boas Práticas” dessa plataforma.
Este relatório atende a Resolução nº 462/2014 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). A implantação de parques eólicos tem contribuído para a formação de uma matriz energética brasileira cada vez mais mais limpa e renovável, mas há cuidados que precisam ser tomados para que essa matriz energética seja compatível com as aves migratórias.
Seu objetivo é apontar as áreas relevantes para as espécies de aves migratórias no Brasil. Assim como os relatórios anteriores, nesta versão também apresentamos os locais de registros de espécies de aves ameaçadas de extinção, que poderão ser utilizados como referência pelos órgãos licenciadores. De forma inédita, a versão impressa do relatório traz também informações sobre a fauna de morcegos no Brasil e o risco de colisão modelado deste grupo com estruturas associadas aos empreendimentos eólicos.
Ao longo de sua rota migratória, as aves utilizam diversas áreas para descanso e alimentação. Sem essas áreas, as aves não são capazes de atingir o seu destino. Sendo assim, é importante reconhecer estas áreas críticas, aqui também indicadas, e envidar esforços para o uso sustentável desses espaços e seus recursos.
O Brasil é um dos três países com maior número de espécies de aves no globo, e mais de 10% das quase duas mil espécies já registradas em território brasileiro são consideradas migratórias. Algumas espécies migratórias têm suas rotas restritas ao território nacional, outras deslocam-se por diversos países vizinhos. Há ainda aquelas que podem se deslocar entre os hemisférios sul e norte. Essa interconexão notável entre ambientes, biomas, países e continentes realizada pelas espécies migratórias torna o Brasil corresponsável pela conservação desse recorte da biodiversidade global.
Como citar este documento:
Relatório de Rotas e Áreas de Concentração de Aves Migratórias no Brasil. Cabedelo, PB: CEMAVE/ICMBio. 2020.